quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Brasil precisa de pastores de caráter limpo

Samuel Costa da Silva
Publicado em 22.06.2009

O caráter de um pastor define o seu ministério. Isso significa que um pastor cujo caráter é íntegro produzirá um ministério limpo, cheio de graça e de verdade, um ministério sem nebulosidades. Contudo, um pastor sem caráter, invariavelmente, produzirá um ministério fajuto, de mentirinha, caracterizado pela arrogância, vaidade, roubos (não só financeiros, mas de tempo e de vidas), adultérios e neuroses pessoais pretensamente anunciadas como revelações de Deus.
Não adianta um ministério aclamado pelos homens, mas reprovado por Deus. No final, o que conta mesmo é minha vida diante de Deus. Quando se trata de liderança pastoral há um trecho da palavra de Deus que muito me chama a atenção. É o texto de Mateus 7:21-23, que diz: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.”
O curioso nesse texto é que todas as realizações alegadas pelos que estão sendo reprovados no juízo final são funções associadas à liderança pastoral: profecias, expulsão de demônios, realização de milagres. Só líderes no reino de Deus realizam tais tarefas. O Senhor, entretanto, os reprova, pois o coração desses líderes não era limpo, seu testemunho era condenável, suas motivações mais íntimas eram mesquinhas e egoístas. Na verdade, esses líderes tomavam o nome de Deus em vão todas as vezes que realizavam milagres, profetizavam ou expeliam demônios, pois no dia-a-dia “praticavam a iniqüidade”, promoviam a si mesmos.
Jesus, no sermão do Monte, entre outras bem-aventuranças, declarou que são “bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5:8). Deus se importa muito com um coração limpo. Por essa razão, Jesus inclui os limpos de coração em suas bem-aventuranças.
O pastor precisa ter coração limpo se deseja servir a Deus com integridade e um testemunho pessoal aprovado. Davi escreve “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente” (Salmo 24:3-4). Por isso, o líder da igreja, deve conservar o “mistério da fé com a consciência limpa” (I Tm. 3:9).
Manter um bom testemunho por ter um coração limpo não necessariamente fará do pastor um sucesso entre os homens. Pelo menos enquanto este pastor estiver vivo. Depois de morto é outra história. Não obstante, é o bom testemunho que fará desse líder um vitorioso diante do Seu Senhor, pois Deus sabe que o bom testemunho agrega as ovelhas, enobrece o reino de Deus, honra o nome do Senhor, não escandaliza os mais fracos na fé.
Portanto, cabe a cada líder pastoral avaliar diariamente como está o seu coração. Esse exercício devocional é imprescindível para ser bem sucedido no ministério da Palavra, pois somente os limpos de coração verão a Deus e, assim, serão considerados bem-aventurados.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

QUERO VOLTAR A SER FELIZ

Minha amiga Daiana me enviou este texto. Dizem que é de autor desconhecido, porém, acho que esta pesoa é uma profunda conhecedora da vida. Veja como invertemos os valores. Tornamos o fácil difícil e o difícil fácil. Triste! Mas há esperança.

Fui criada com princípios morais comuns. Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os “lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder deseducadamente à policiais, mestres, aos mais idosos, autoridades.
Confiávamos nos adultos porque todos eram pais e mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo que perdemos.
Por tudo que meus netos um dia temerão. Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos.
Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas. Policiais em blitz é abuso de autoridade.
Regalias em presídios é matéria votada em reuniões. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem é ser otário. Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão.
O que aconteceu conosco?
Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos. Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas. Crianças morrendo de fome!
Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano. Celulares nas mochilas dos recém saídos das fraldas. TV, DVD, vídeos-game...
O que vai querer em troca desse abraço, meu filho?
Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo. Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais valem dois vinténs do que um gosto.
Que lares são esses?
Jovens ausentes, pais ausentes. Droga presente.
E o presente? Uma droga!
O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela, ou uma flor?
Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo? Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo? Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz. Quero de volta a lei e a ordem. Quero liberdade com segurança! Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho. Quero a vergonha, a solidariedade. Quero a esperança, a alegria. Teto para todos, comida na mesa, saúde a mil. Quero calar a boca de quem diz: “a nível de”, enquanto pessoa.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”! E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã! E definitivamente comum, como eu.
Adoro o meu mundo simples e comum. Vamos voltar a ser “gente”?
Discordar do absurdo. Construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base. A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito...
Utopia? Não...
...se você e eu fizermos nossa parte e contaminarmos mais pessoas, e essas pessoas contaminarem mais pessoas...
...hein?
Quem sabe?...

domingo, 10 de maio de 2009

UMA ORAÇÃO DE GEORGE HERBERT
(1593-1633)

Senhor, como pode o homem pregar a tua palavra eterna?
Ele é vidro frágil e imprestável.
No entanto, no teu templo tu lhe conferes
Esse lugar glorioso e transcendente,
A ser uma janela por tua graça.

Mas quando temperas no vidro a tua história,
Fazendo tua vida brilhar dentro
Do teu sagrado pregador, então a tua luz e a glória
Mais reverenciadas se tornam, e mais ganho trazem,
O que sem isso seria diluído, desanimador e tênue.

Doutrina e vida, cores e luz em um
Quando se combinam e se fundem, produzem
Estima forte e admiração; mas a fala somente
Desvanece como uma coisa em chamas
E no ouvido soa, não na consciência.

A Arte e o Ofício da Pregação Bíblica
(Haddon Robinson e Craig Brian Larson)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PÁSCOA

Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado. Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade,mas com os pães sem fermento, os pães da sinceridade e da verdade. (I Co. 5:7-8).


Estamos às portas da celebração da Páscoa cristã. Em meio a tantos conceitos sobre a Páscoa é interessante que respondamos a algumas perguntas, já que Páscoa não tem nada a ver com comilança, chocolate, coelho, etc., mas com o paradoxo “dor e celebração”. O que é a Páscoa para mim e que tipo de reflexão eu faço neste período?
Para os judeus a Páscoa é a celebração pela libertação da escravidão no Egito. Esta celebração começa no princípio de décimo quinto dia do mês de Abide ou Nisã, com a refeição sacrificial, quando um cordeiro ou um cabrito inteiro era assado e comido pelos membros duma família com ervas amargas e pães asmos ou ázimos (sem fermento). Os sacrifícios significavam expiação e dedicação; as ervas amargas faziam lembrar a amargura da servidão egípcia e os pães asmos simbolizavam a pureza (Lv 2:11).
Para os cristãos a Páscoa simboliza a morte vicária, substitutiva de Cristo (Jesus, assim como o cordeiro morreu em nosso lugar para nossa redenção), bem como as promessas de ressurreição e segunda vinda.
A celebração da Páscoa deve ser uma reflexão profunda sobre Deus, a vida, as pessoas, a fé, a igreja e o mundo. Esta reflexão deve nos afetar de tal maneira que provoque mudanças eternas em nós. A Páscoa nos fala de libertação, da libertação da escravidão, seja ela espiritual, econômica, material, social, etc. Jesus disse que o seu jugo é leve. Isto é nEle temos liberdade. Também nos fala de ressurreição. A ressurreição de Jesus é a promessa de uma nova vida. Nunca o ser humano foi tão afetado como o foi pela ressurreição de Jesus. A ressurreição é o recomeço. A Páscoa também nos traz um sentido de renovação. Nela podemos renovar nossas esperanças, não apenas uma esperança religiosa, mas também mais humana, mais gentil, mas social, mas graciosa.
Na Páscoa nos é dada a oportunidade de pensar que mudar o mundo, trazer libertação, uma nova vida e esperança, deve começar com uma mudança interior pessoal e profunda. A celebração da Páscoa é a celebração com o Cordeiro de Deus que nos amou e que tirou nossos pecados, nos enchendo de vida e vida plena. Jesus morreu e ressuscitou, sendo nossa Páscoa, para Deus nos dar perdão, nos tornar residência fixa do Espírito Santo, nos fazer novas criaturas em Cristo e filhos amados de Deus. Ele nos deu o poder do Espírito Santo para mudar nossas vidas.
Feliz Páscoa!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A VITÓRIA NA ESPERANÇA


SL 39:7 - Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança está em ti.

As escolhas que fazemos acabam por determinar quem somos, o que temos e quem desejamos ser. Nossas escolhas têm um caráter pessoal e intransferível, ou seja, ninguém pode escolher por nós, nem nós escolhemos pelos outros e, mesmo quando tentamos fugir, como opção para não tomarmos decisão, estamos fazendo uma escolha.

Nossas vidas são feitas de crises e de vitórias. E o que nos leva a estas crises e vitórias são as escolhas que fazemos. As crises nos mostram que não somos auto-suficientes, revelam nossa limitação, põem por terra nosso orgulho, nos conduzem a agirmos com humildade. As vitórias, os sucessos, por outro lado, nos mostram que de alguma forma Deus nos deu a capacidade da superação. A superação vem quando há esperança, um desejo incontido de fazer dar certo, que nos faz prosseguir mesmo em situações difíceis. É difícil entender como é que nos meio de nossas batalhas diárias encontramos ânimo para prosseguir, como pode brotar alternativas em meio a impasses. Se não tivermos convicções firmes, a esperança desaparece. A pergunta que se faz diante disso é a mesma do salmista: Que espero eu? Em quem eu espero? É aqui, respondendo a esta pergunta, que estamos para determinar quem somos, o que temos e o que queremos ser. O salmista fez a escolha certa. Sua esperança não estava na solução imediata do problema, embora o quisesse, não estava nas coisas temporais. Sua resposta declara que sua esperança está intimamente ligada, identificada com sua fé. A fé fortalece nossa esperança e se temos esperança somos capazes de superar as piores crises. A fé e a esperança não nos deixam antecipar negativamente o fim da história, não nos colocam na passividade. Veja a história de Abraão: Hb 6:15 - E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa.
A fé é o componente essencial para que a esperança triunfe.

Nossa história ainda não terminou, ainda há esperança. Junte à fé a esperança. Olhe para o Senhor e diga com toda a fé: A minha esperança está em ti. E assim vamos celebrar a nossa vitória.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

FELIZ ANO NOVO

Todo fim de ano e começo de um novo ano tem para mim tanto um senso de aventura bem como desperta minha consciência para o perigo, para o desconhecido. Eu não sei como você se sente, mas eu fico com um aperto no coração, tanto de temor como de expectativa.
Somos como exploradores adentrando num mundo desconhecido, imaginando as maravilhas que podemos descobrir, porém cientes dos perigos que nos rodeiam. Sabemos que viveremos tempos intensos de lutas e de paz, de tristezas e alegrias, de incertezas e de convicções, mas sempre com a certeza de que venceremos, que teremos o que celebrar e de que vamos alcançar muitos dos nossos objetivos e realizar muitos dos nossos sonhos e projetos, embora não possamos saber antecipadamente quais.
Penso que uma reflexão sobre o salmo 20 é muito conveniente nesta data, pois é uma canção que o povo de Israel cantou quando foi para a guerra. Antes do povo sair para enfrentar o perigo e as incertezas de uma guerra, eles cantaram este salmo como uma oração a fim de que fossem bem-sucedido e vitorioso. Esse salmo é, portanto, uma expressão da fé dos judeus, uma confiança no poder de Deus.
Existem três divisões naturais aqui. Os primeiros cinco versos são uma oração do povo em favor do rei. Dos versos seis a oito é a resposta do rei a oração do povo, e o verso nove em um clamor pelo povo.
Não é fácil lutar as nossas batalhas, que podem ser de todas as ordens e categorias, indo desde desafios e riscos espirituais, passando pelos financeiros, profissionais, relacionais e familiares.
O Jornal O Povo de hoje (31/12/2008) traz um encarte em que chama o próximo ano de “Era de Incertezas”. Fala que o mundo está em compasso de espera. A economia mundial fragilizada, um novo quadro político e social está sendo montado na América Latina. A Europa apavorada com o desemprego e a desaceleração da economia e os tigres asiáticos estão com suas finanças combalidas. O Oriente Médio termina o ano e começa o novo com um novo acirramento e ataques entre árabes palestinos e judeus. Existe ainda o desafio ecológico, a preservação do ecossistema, pois o meio ambiente está sendo terrivelmente afetado. No Brasil, a violência aumenta de maneira alarmante e já não mais limite para seu encrudescimento. Estamos perdendo nossos jovens para as drogas e o crime. Seqüestros, assassinatos, roubos, estupros aumentam rapidamente. Como podemos observar pode ser muito perigoso viver 2009.
Bem não há nada de novo, você diria. Isso já acontece e são fatos que não podemos evitar, estão aí no nosso dia a dia, nos estacionamentos, em nossa sala de estar, no quarto na hora de dormir, nos ambientes que freqüentamos ou não e são essas coisas que agarram nossos corações de maneira fria e nos enchem de temor e medo.
Todos nós gostaríamos de saber como devemos lidar com todas essas situações? Bem, é esta a tentativa do salmista, já que há uma similaridade entre eles. É por isso que ele começa o salmo apresentando o caminho:
Sl 20:1Que o Senhor te responda no tempo da angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja.
Que tal começarmos buscando refúgio no nome do Deus de Jacó? Somente Deus pode nos ajudar, pois somente Ele tem a sabedoria para nos guiar em meios aos perigos. Se não descansarmos no Deus de Jacó, nós jamais conseguiremos.
Existem dois homens na Bíblia que são fonte de encorajamento: No Novo Testamento é Pedro, e no Velho Testamento é Jacó. O velho e bom Jacó, o suplantador, o enganador. Jacó pensava que tinha sempre que enganar todo mundo, manipular as pessoas e as coisas para que ele pudesse atingir seus objetivos. Ele dependia de sua astúcia, da sua sabedoria para suas realizações. O problema para gente assim é que estão sempre destruindo o que protegem e demoraram a conquistar. Estão sempre tentando barganhar com a vida, com as pessoas, com os valores.
Deus livra Jacó desta maneira de ser, depois de dolorosos anos, até que ele aprende a confiar e a adorar a Deus. Jacó está na galeria dos homens de fé de Hebreus 11. Ele aprendeu que podia confiar e esperar em Deus enquanto Deus agia em seu favor. Por isso o título: O Deus de Jacó.
O que eu e você devemos fazer quando enfrentarmos dias trabalhosos em 2009? Nossa tendência natural é nos apavorarmos, fazer algum tipo de manobra, alguma manipulação para conseguir nossos intentos, assim como Jacó. Mas nosso maior desafio bem como nossa maior satisfação e realização em 2009 é ter o Deus de Jacó como nosso refúgio. Que o Deus de Jacó te responda no dia da tua angústia!
De que maneira Deus nos ajudará? Em primeiro lugar á partir do santuário. Isso é maravilhoso, a ajuda vem do santuário. O santuário é o lugar onde nos encontramos com Deus.
Sl 20:2 – Do santuário te envie auxílio e de Sião te dê apoio.
O templo era o lugar onde o povo resolvia seus dilemas, suas coisas, onde o pensamento era corrigido. No santuário ele encontrava Deus e ouvia sua Palavra, conhecia a mente e os pensamentos de Deus.
No salmo 73 o salmista fica profundamente incomodado com a prosperidade dos maus. Isso também nos perturba. Parece que quem faz as coisas erradas se dá sempre bem e quem faz o que é correto parece sempre oprimido. Mas ele só pensou assim até o dia em que entrou no santuário e começou a perceber a verdade, ele começou a ver a história por inteiro, a entender o quadro. Seu pensamento foi corrigido porque entrou no santuário. É isto que o santuário faz.
Sl 73:16-17 – Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim, até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios.
O Santuário tanto é o templo, o prédio, o edifício como o nosso coração, os lugares onde a Palavra de Deus se revela no nosso dia-a-dia. É nela onde encontramos ajuda, onde nossa mente é iluminada e começamos a enxergar o mundo como ele é e não como aparenta. Quem nunca pensou que algo ou alguém seria de uma maneira e não ficou profundamente decepcionado e frustrado? A vida é cheia de ilusão, de enganos. O desejo do coração de todo o homem é encontrar a verdade e viver por ela. É isso que a Bíblia faz. A Bíblia é a provisão do Deus de Jacó. O santuário é o lugar onde encontramos ajuda, pois nossos olhos podem ver a verdade.
Veja como é importante ir à igreja, como é tão essencial à vida cristã normal. A vida parece um circulo de situações sem saída e sem solução. Uma orientação, uma boa dica para se viver bem o ano de 2009 é freqüentar mais a igreja e receber instrução da Palavra de Deus.
Em segundo lugar, Deus responde nossas orações. Isto é uma fonte de encorajamento disponível.
Sl 20:3-4 – Lembre-se de todas as tuas ofertas e aceite os teus holocaustos. Conceda-te o desejo do teu coração e leve a efeito todos os teus planos.
Israel oferecia sacrifício de animais, touros, cordeiros, pombos, etc. Para onde isso apontava? Para o sacrifício perfeito de Jesus Cristo. Deus nos ajudará do santuário por causa do sacrifício de seu Filho Jesus Cristo. Toda a graça e misericórdia de Deus agirão em nosso favor. Temos a garantia pela fé que Deus estará conosco em 2009.
Rm 8:32 - Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?
Há uma seqüência lógica neste verso acima. Depois que nossos corações são purificados pela Palavra e pela oração o que vemos é o desejo de que Deus nos conceda o que almejamos. Precisamos por em palavras o que está em nossos corações, o que está no fundo da nossa alma, o que realmente queremos. Talvez não tenhamos todas as coisas que desejamos, mas seremos pessoas mais felizes, mais confiantes, mais capazes de enfrentar situações difíceis, sem manipular nada nem ninguém, amando e se deixando amar. Lembre-se o coração é a chave da oração!
Por fim, o salmo nos dá uma visão comunitária de confiança no futuro. Podemos vislumbrar nossas realizações no Senhor.
Sl 20:5 – Saudaremos a tua vitória com gritos de alegria e ergueremos as nossas bandeiras em nome do nosso Deus. Que o Senhor atenda todos os teus pedidos!
A visão da vitória, da realização aqui é mais comunitária do que individual. A vitória nunca é uma realização individual. Existe sempre a participação de alguém mais. Gente que entrou na luta com você, compartilhou de suas lutas, das dores e das alegrias. Pois essas pessoas têm direito de celebrar, de compartilhar as vitórias.
Nossas mentes precisam ser iluminadas para enxergar e agradecer os que batalharão ao nosso lado em 2009. Gente que vai orar por nós em voz alta ou silenciosamente, que nos encorajará com palavras ou simplesmente com um olhar ou um abraço apertado. A companhia dessas pessoas nos fortalecerá. Então quando vier a vitória, elas compartilharão conosco. Este é mais um motivo para estarmos juntos na igreja, nos lares, nas reuniões para que possamos erguer nossas bandeiras, para lutarmos juntos e nos alegrarmos juntos e compartilharmos nossas bênçãos. Nestas bandeiras deve estar escrito em letras grandes e bem visíveis: Que o Senhor atenda todos os teus pedidos!
Quero terminar bem o ano de 2008 e começar bem o ano de 2009. Nosso último desafio de 2008 e o primeiro de 2009 é saber responder corretamente a pergunta: Em que confiaremos em 2009? De quem dependeremos? O salmista diz: Sl 20:7 – Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiaremos no nome do Senhor nosso Deus.
Existem equivalentes atuais a essas carruagens e cavalos: Riquezas, educação, habilidade, conhecimento, poder, posição, dinheiro, religião, amizades, etc.. Mas aqui existe uma nota de fé, uma expressão de confiança, de tranqüilidade. O que o salmista está dizendo é que não confiará no que é secundário, mas no que o braço forte do Senhor pode realizar.
O salmista termina com uma maravilhosa expressão de triunfo. Sl 20:9 – Senhor, concede vitória ao rei! Responde-nos quando clamarmos!
Vemos aqui uma promessa ampliada da oração. Orar uns pelos outros faz com que Deus nos abençoe diante dos nossos próprios desafios, perigos, problemas e situações que tivermos que enfrentar em 2009.
Você tem idéia do que enfrentará em 2009? Eu não. Mas eu estarei orando por vocês como me instrui as palavras deste salmo. Eu espero que você ore por mim, por minha família, pelo meu pastoreio na igreja.

Feliz Ano Novo! Feliz 2009!

domingo, 21 de dezembro de 2008

NATAL: UMA CIRURGIA NA ALMA

Este ano nós tivemos uma conversa séria sobre o Natal lá em casa. Fomos ao shopping e percebemos que se trata realmente do “templo” do consumo. Fala-se muito em crise, mas a maior crise não é econômica é na alma do ser humano. Milhões e milhões de pessoas se endividando, às vezes de maneira louca e sem percepção do perigo que correm, para manterem segundo pensam uma tradição.
Há algum tempo havia uma propaganda dizia que Natal é tempo de tradição. Veja que grande paradoxo: Somos um povo que gosta de mudanças, novidades e modernidade, mas queremos manter a tradição do Natal. Inovação é a última coisa que poderia acontecer com o Natal. Nós queremos lembranças, bons momentos guardados e não surpresas desagradáveis.
Então, no Natal, o que é antigo, tradicional, o que traz boas lembranças é que são as coisas que estão em evidência nesta época. Existe um desejo universal de ver as melhores coisas acontecendo nas vidas de todos. Todos nós desejamos que o Natal tenha um sentido mais significativo em nossas próprias vidas e na vida dos outros. Mesmo assim o Natal é para muitos um tempo de lamento, de decepções, de constrangimento. Mesmo para quem tentar resgatar o sentido do Natal.
Todos nós de certa forma gostaríamos de resgatar o sentido verdadeiro do Natal. Resgatar as tradições, os desejos familiares, o amor pelas pessoas e a preocupação em fazer o que é certo e direito, mas o Natal sem o amor de Jesus é sem graça, frágil, débil e uma fonte de desesperança. Se déssemos a Jesus o lugar central em nossas vidas, se entendêssemos o que Deus fez na encarnação e desejássemos uma profunda adoração a Ele, então Cristo nos concederia, como um dom, toda a alegria que envolve o Natal.

DOIS NASCIMENTOS, DUAS REALIDADES
Vamos retornar à fonte da celebração para entender o evento chamado Natal. Os primeiros dois capítulos do evangelho de Lucas registram a história de dois bebês: João, o Batista e, Jesus, o Messias.
O nascimento de João aconteceu da maneira mais tradicional. Ele nasceu em casa, com sua mãe cercada pela alegria, carinho e cuidados do marido, família e amigos. Durante sua gravidez, Isabel foi honrada e teve a apreciação de todos. Como ela era estéril, todos se alegraram quando Deus a curou.
Lc 1:58 - Seus vizinhos e parentes ouviram falar da grande misericórdia que o Senhor lhe havia demonstrado e se alegraram com ela.
Isabel teve gravidez tranqüila, e este foi um tempo de admiração, proximidade da família, um tempo para cantar, para escolher o nome da criança. O nascimento de João trouxe honra para a mãe, alegria para a comunidade, ajuntamento familiar. Não é este o espírito natalino que ansiamos? Não é esta a esperança que o Natal deve produzir na maioria de nós?
Por outro lado, o nascimento de Jesus foi diferente. Quem gosta de procurar, comprar alguma coisa num shopping às vésperas do Natal? Quem não se sente ameaçado por aquela gente toda querendo tomar sua vaga no estacionamento, comprar a mesma coisa que você? Você ainda tem que enfrentar filas quilométricas para depois encarar pessoas indelicadas e mal-educadas nos caixas? Quem não cora de vergonha quando a vendedora grita em alto e bom som que o seu cartão não foi aprovado e você envergonhado tem que devolver o objeto de desejo? É terrível!
Jesus nasceu numa cidade que estava tão lotada que uma mulher em trabalho de parto não pode encontrar lugar para instalar-se e ter seu bebe, a não ser onde guardavam os animais. Forçados pelas circunstâncias do dia foram para onde não gostariam de ir.
José e Maria estavam em Belém por causa do rompante materialismo de Roma, originado na ganância por mais dinheiro que podiam arrancar do povo. O governo ordenou que cada família voltasse para sua cidade de origem para que fosse realizado um censo, pois assim seria facilitada a cobrança de taxas. Era por causa do dinheiro que Maria e José estavam lá.
Muitos de nós sentimos que este período do ano está dominado pelas forças e idéias do mundo materialista em que vivemos. É nesta época do ano que os aeroportos e rodoviárias de todo o país ficam num frenesi maluco. Parece que todos vão para o mesmo lugar. Todo mundo quer chegar a algum lugar e rápido.
Eu imagino que José e Maria passaram pela mesma situação. Seus parentes e amigos também tiveram que viajar e eles estavam por conta própria no final da gravidez dela.
O contraste entre esses dois nascimentos é surpreendente. Enquanto João nasce num ambiente de maior felicidade, Jesus nasceu num de maior dificuldade. Enquanto a gravidez de Isabel foi honrada, a de Maria foi uma desonra, já que ela ficou grávida antes de casar com José. Enquanto Isabel tinha parentes e amigos próximos a ela no nascimento de João, Maria descansou em meio a estrangeiros, pastores que ela não conhecia, sábios do oriente.

UMA CIRURGIA NA ALMA
Fico imaginando que quando o anjo lhe contou sobre o nascimento de Jesus, ela jamais imaginou que seria tão difícil, tão surpreendente e tão assustador. O bebê nasceria, mas nessas circunstâncias? O que Maria pensou sobre o significado e a natureza do primeiro Natal? Qual o propósito do nascimento dessa criança? Maria guardou todas as coisas no seu coração. Responder a estas perguntas corretamente vai nos fazer entender e resgatar o Natal em nossas próprias vidas e nas dos que nos rodeiam.
Quando Maria apresenta Jesus no templo, Simeão, um homem idoso põe o menino nos braços e profetiza para ela terminando assim sua palavra:
Lc 2:34-35 - E Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe de Jesus: "Este menino está destinado a causar a queda e o soerguimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição, de modo que o pensamento de muitos corações será revelado. Quanto a você, uma espada atravessará a sua alma".
Eu acredito que há um desejo em todos nós de ter o melhor para todos no Natal. Neste Natal é necessário descobrir que precisamos mais que presentes, banquetes e desejos amigáveis e bondosos. Precisamos de cirurgia. O homem precisa de cirurgia: Uma Cirurgia na Alma.
É precisamente esta cirurgia da alma que Simeão profetizou para Maria, uma cirurgia que fez com que Maria colocasse seu próprio filho como centro de sua existência a fim de receber a benção que ele lhe daria.

Quem ainda não colocou Jesus no lugar correto em sua vida ainda não experimentou o verdadeiro sentido e significado do Natal.

A lição que Maria aprendeu foi dura, mas é uma lição didática a todos nós. Mesmo sendo mãe de Jesus ela teve que ser sua seguidora, discipulada por Ele, obediente a Ele. Ela aprendeu dEle, teve que tratá-lo como Senhor e abrir mão de seus direitos para que o Pai celeste o sacrificasse em favor de todos os homens. Ela cuidou dele, viu seus primeiros passos, orou por ele, o viu crescer. Mas ela sabia que uma espada transpassaria sua alma um dia. Ela investiu seu amor pelo filho, o cuidado de mãe, sua maternidade porque Deus o queria, pois o mundo necessitava tanto do seu nascimento quanto da sua morte.
O próprio Jesus lembrou que o relacionamento mãe-filho não era comum. Maria queria ser sua mãe e ter o relacionamento especial que só as mães podem ter com seus filhos, mas desde o primeiro dia Jesus foi Senhor até da sua própria mãe.
O nascimento de Jesus precisa ser mais que um evento humano caloroso. O Natal precisa transcender a proximidade com a família, a compra de presente, a fartura e tudo o mais que o envolve nestes tempos. O Natal precisa traspassar nossa alma, fazer uma cirurgia em nós, mostrando que Jesus é o Deus encarnado para a salvação de todos os homens. Ele é o Deus criador de todas as coisas e não uma desculpa consumista.
O Natal fala de Jesus, o Emanuel, Deus entre nós, Aquele a quem os anjos adoram e o cosmo obedece. O Deus misericordioso e amoroso. O Príncipe da paz, o Pai da Eternidade. Ele é aquele a quem devemos adorar, pois ele é mais do que um bebê numa manjedoura. Isto é próprio do Natal.
- A cirurgia é dizer “NÃO” deliberadamente as incessantes demandas sociais, aos apelos para gastarmos mais tempo e mais dinheiro com presentes, para correr prá aqui e prá acolá.
- Precisamos de uma cirurgia em nossas almas que coloque Jesus como Senhor das nossas vidas. Precisamos escolher adorá-lo, gastar tempo com ele, no nascimento, mas também na sua morte e ressurreição.
- Uma coisa que muito me impressiona é a facilidade como dispensamos Deus de nossas vidas. Se não temos tempo, se queremos mais tempo, vamos deixar Deus de lado.
- Conseguimos tempo para nossas famílias, para nossos estudos, para nossos trabalhos, para nossos patrões e chefes e se alguém tiver que ser dispensado é Deus.
Natal é permitir que Deus faça uma cirurgia em nós. Natal é permitir que uma espada traspasse nossa alma e coloque Jesus e todo o seu projeto para a humanidade no centro da nossa existência. Deixe Jesus ser o que Ele pode na sua vida neste grande momento. Isto é Natal.
A mensagem da encarnação é infinitamente maior: O Filho de Maria veio para despedaçar as almas. Veio para a queda e soerguimentos de muitos. Tudo o mais precisa ser menor ou perdemos a alma do Natal, o espírito natalino.

Celebre tudo o que tem que celebrar no Natal, mas faça este Natal diferente: Ponha Cristo no centro da sua vida.


Faça algo pelo Natal: Faça escolhas para usar o seu tempo de maneira que agrade a Deus, faça coisas de maneira que agrade a Deus e faça sua mente repousar nas coisas que Ele fez por você. Permita que Cristo ocupe o lugar central de sua vida.


Gostaria de terminar com a oração de Paulo pelos efésios:
Ef 1:18-23 - Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele. Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força. Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância.



FELIZ NATAL!!!!